ASSÉDIO NO ESPORTE ESCOLAR: Educar para Evoluir

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COBRANÇAS EXCESSIVAS NO ESPORTE PODEM SE TRANSFORMAR EM ASSÉDIO

Nos últimos anos o esporte tem testemunhado um número crescente de denúncias sobre abusos e assédios. Mas será que sabemos de fato identificar um ou outro? Este foi o tema trazido pela Fedeesp no Fórum Paulista Online Continuado de Esporte Escolar do dia 18 de agosto: Assédio no Esporte Escolar: educar para evoluir.

Os convidados Marisa Markunas, psicóloga do esporte com mais de 20 anos de atuação na formação esportiva e, Paulo Schmitt, consultor jurídico das Confederações de Ciclismo e Ginastica apontaram as principais diferenças entre os termos, como identificar os abusos e, acima de tudo, como trabalhar de maneira preventiva.

Durante o Fórum os palestrantes foram provocados a comentar casos como o da seleção americana de ginástica, onde 368 atletas mulheres, menores de idade em sua maioria, foram vítimas de abusos sexuais, pelo ex-médico da seleção americana de ginástica, Larry Nassar, incluindo aí as campeãs olímpicas da modalidade Gabby Douglas e Simone Biles. No Brasil, em 2008, tivemos o caso da nadadora Joana Maranhão, que revelou ter sido molestada sexualmente por Eugenio Miranda, seu treinador, quando tinha apenas nove anos. 

 

Marisa Markunas citou em sua fala a distinção entre alguns termos utilizados como sinônimos mas que requerem uma atenção maior principalmente ao se lidar com crianças e adolescentes que são os usos e abusos: “Temos que ter uma visão clara no esporte, principalmente neste que envolve crianças e adolescentes dos usos e abusos que são os excessos. A cobrança excessiva dos técnicos, dos familiares, da própria sociedade pode acarretar casos de abusos e, até de violência e assédios. Fazendo uma distinção rápida, o excesso pode ser comparado como o uso prolongado do vídeo game pela criança. Já o assédio é algo mais abstrato, que parte da percepção dos envolvidos, por isso, muitas vezes identificar o assédio se torna mais difícil, daí a necessidade dos pais, professores, familiares terem a cultura de observar as mudanças de comportamento das crianças, conversar para identificar o que está acontecendo”, disse Marisa.

Já um dos principais campos explorados pelo consultor jurídico, Paulo Schmitt, foi o da criação de medidas preventivas por parte das entidades, escolas, instituições que lidam com crianças e adolescentes no sentido da criação de protocolos, códigos de ética e transparência que parametrizem o que são estas práticas abusivas: “ O que as Federações esportivas tem que ter em mente é uma gestão que prime acima de tudo a integridade do atleta. Precisam ser criadas políticas de fortalecimento de aspectos éticos, transparência, governança e responsabilização de entidades de administração e de prática desportiva e seus dirigentes, bem como, se estabelecer um conjunto de programas, processos, projetos ou atividades com a finalidade de resguardar a credibilidade de instituições desportivas, a valorização do fair-play, ações de combate a fraudes, assédios, preconceitos e abusos no esporte”, disse Paulo.

Durante o Fórum foram também levantadas dúvidas sobre possíveis mitos no esporte como: “professor não pode tocar mais nos atletas," “o abuso é mais provável nos esportes, onde há muito contato físico interpessoal / suporte manual”, "o nosso é um esporte em equipe, então não precisamos nos preocupar", “os atletas nos esportes individuais são mais propensos a sofrer abusos do que aqueles em que praticam esportes em equipe”.

Ambos os palestrantes justificaram como sendo mitos criados pela sociedade e da importância da educação como instrumento de formação e conscientização para diminuição de casos de abusos entre atletas.

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